Depois de uma fase conturbada da vida do Sporting CP que o súbito afastamento de JE Bettencourt originou, estamos agora numa fase de adaptação a uma nova realidade, a que resultou das eleições, mas que não corresponde ao que o maior número de sócios, pelo seu voto, mostrou desejar. É assim não só porque os resultados eleitorais o revelam mas, também, porque as legítimas pretensões de uma massa associativa que se estende por todo o país – e por todo o mundo – o confirmam quando continua a considerar urgentes alterações, sobretudo as que se ligam com aspectos de direitos dos sócios que os actuais Estatutos não consagram. Foram eleições “viciadas” pelas próprias regras, dizem, porque não permitiram a escolha em igualdade de circunstâncias!
Para além deste aspecto, a grandeza do Sporting CP e a sua dimensão nacional exigem regras que as tenham na devida conta, não confinando nem condicionando um acto eleitoral que deverá ser acessível a todos os sócios.
Não é difícil, quer pelas ideias que comandam o nosso modo de viver baseado na igualdade de direitos quer pelas tecnologias disponíveis, levar o acto eleitoral a todo o território, no que os Núcleos deverão ser actores de primeira linha.
Também, o desenvolvimento estranho de um acto eleitoral que se prestou a demasiados equívocos exige, para que tal se não repita como é desejável e é próprio de um clube com a dignidade do Sporting Clube de Portugal, um Regulamento Eleitoral que o torne credível para além das louváveis “provas” de dedicação de seja quem for que o organize, coordene e controle.
O Sporting CP tem de estar a salvo de tudo o que dele não seja digno e não serão “indignações” patéticas que afirmem que é pôr em causa a seriedade dos funcionários do Sporting quando se lançam dúvidas sobre os “ajustamentos de resultados” que vão fazer esquecer o que aos olhos de todos se passou pois, tal como se dizia da “mulher de César”, também às eleições no Sporting CP não basta serem sérias porque sérias deverão parecê-lo, também. E não o pareceram, de todo!
Um Regulamento Eleitoral perfeitamente claro e que corresponda às exigências de equidade que os actuais procedimentos, mesmo apesar do profissionalismo de quem os conduza, não podem garantir, é uma ferramenta indispensável ao funcionamento democrático do Clube, quem sabe se o único ainda em “contra-pé” com os princípios do regime político-social em que vivemos.
É necessário e urgente acabar com as diferenças e restrições que “encolhem” um clube de dimensão nacional até à “restrita dimensão” dos que mais facilmente se podem deslocar a Alvalade!
Não será uma batalha fácil como nunca o são as que se travam contra poderes instituídos blindados por normas e mentalidades ultrapassadas muito ciosas do que consideram ser os seus privilégios. Mas será a batalha a travar e a vencer para colocar o Sporting na senda do seu antigo esplendor, através de atitudes próprias de sportinguistas, dignas do Sporting CP!
Tanto porque ocorreram alterações que obrigaram a interromper a edição do www.centrenariosporting.com, como porque é da tradição deste site não intervir em disputas eleitorais, estivemos ausentes durante algum tempo. Mas aqui estamos de novo, não para atacar seja quem for (por mais que, por pura estultícia, Soares Franco assim o diga, julgando-se digno da nossa atenção para dizer mal de si) mas para zelar pelo que cremos serem os superiores interesses do nosso Clube. Por isso seremos, como sempre o fomos, exigentemente críticos quando de tal for o caso, bem como continuaremos a desejar o melhor para o nosso Clube e a levar a todo o mundo notícias do que por aqui se aconteça.
Será uma nova fase em que não poderemos ignorar o que se passa, sobretudo o desejo de mudança que, em consequência das últimas eleições, está definitivamente arreigado no Sporting CP, no que participaremos com a clareza e com a lisura que é nosso timbre, como todo o nosso passado, facilmente consultável, o demonstra.