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VOZ AOS ADEPTOS 35 - FURACÃO

DAR VOZ AOS ADEPTOS DO SPORTING CP

Sportinguistas

Furacão

Fez quatro anos em Setembro passado que o furacão Katrina se abateu sobre os velhos USA e deixou a parte sudeste do país completamente arrasada. Quem não se recorda das imagens de Nova Orleães completamente submersa, os bairros inteiros destruídos, os milhares de desalojados sem esperança de poderem voltar a vir a ter uma vida normal pois tinham perdido todos os seus haveres, as suas casas e muitos deles as suas próprias famílias.

Fazendo uma analogia com o que se passa hoje no Sporting Clube de Portugal - e apesar de considerar que o futebol é em si mesmo um jogo, um fenómeno que move multidões e milhões mas, mesmo assim não deixa de ser um jogo -, estamos neste momento no olho do furacão. A tempestade está a abater-se sobre Alvalade e são incontroláveis os danos que poderá causar na Instituição.

Esta última derrota caseira da equipa ante uma aguerrida, tecnicista e realista equipa do Leixões, tem que forçosamente provocar a reflexão por parte de todos os elementos das estruturas directivas do clube. Estes não se podem comportar como a Administração Bush que não soube dar resposta à crise que se seguiu ao furacão, com a rapidez e eficácia necessárias a suprir as necessidades de quem perdera todos os seus meios de subsistência. Têm que escutar as ondas de insatisfação e perplexidade das bases de sportinguistas.

Dirão muitos que não tem qualquer comparação o que se passou lá em Nova Orleães e o que se está a passar no Sporting. Poderão ter razão. Mas para quem vive o futebol do meu clube com paixão desde pequeno, é uma autêntica catástrofe ver que a equipa não joga nada, tem jogadores pesados, desmotivados e sem classe, muitos deles obcecados com o fenómeno Cristiano Ronaldo e a quererem eles próprios fazer o contrato das suas vidas numa fase em que deveriam concentrar-se em render para honrar os contratos que a sua entidade patronal se esforça ela própria por cumprir. Jogadores que têm todas as condições de treino e de trabalho, com excelentes instalações que lhes permitem concentrar-se exclusivamente em fazer o seu trabalho.

Será que os jogadores do Leixões usufruem das mesmas condições? Não creio. Ainda há três épocas atrás o Leixões militava numa 2ª Liga e lutava pela subida. No entanto, ontem, deu uma lição de realismo, de humildade, de profissionalismo, sem manias, penteados ou passagens de modelos. Certamente que nenhum dos jogadores do Leixões ganha os ordenados que os jogadores do Sporting ganham, no meio duma crise mundial que se calhar no futuro muito próximo não lhes vai permitir auferir por muito mais tempo.

Por último, Paulo Bento cada vez sai menos bem nas fotografias após os jogos. Desta vez não houve árbitros para culpar. Limita-se a reconhecer que a equipa jogou bem a espaços. Alguém lhe diga que, em Alvalade, a equipa não pode jogar bem só a espaços. A equipa tem que jogar bem em todo o jogo em todo o tempo. Tem que mandar no jogo, com querer, com personalidade. Ele que engula a sua arrogância e teimosia. É de enaltecer que defendamos as nossas convicções e ideias com tenacidade e firmeza. Mas também é necessária humildade para aceitarmos que podemos errar e emendarmos a mão. Ele que ponha a mão na consciência e veja se tudo está a fazer para proteger os interesses do clube. Ele que pense porque é que a equipa (salvo na primeira parte do último jogo com o Porto) não está a jogar bom futebol. Ele que ponha a mão na consciência para ver porque continua a insistir em jogadores em alma e coração, como Romagnoli e Yanniik, deixando jogadores de classe que muito poderiam ajudar a equipa. Ele que ponha a mão na consciência e veja porque dispensa jogadores portuguesas de qualidade que depois rendem nas equipas onde são emprestados ou vendidos (não é do tempo dele mas o guardião das redes do Leixões, é produto das escolas do Sporting, foi ontem o melhor elemento em campo, quanto a mim, e sempre foi preterido na baliza por guarda-redes não feitos nas nossas escolinhas).

Para concluir este meu comentário que já vai longo, há que reflectir internamente no rumo a seguir. Não se pode cuspir para o ar como se a passagem aos quartos de final da "Champions" seja a panaceia para todos os nossos males. O Sporting não pode continuar a ser o 3º grande. Tem que se esforçar por ser o 1º. Se isso não acontecer, a militância dos sportinguistas decrescerá mais e mais, da mesma forma como em 2005, muitos dos habitantes de Nova Orleães desistiram de lutar contra as águas revoltas e afundaram-se no meio de lama e destroços para nunca mais voltarem.  

Um abraço.

Gastão Baptista Manso

 
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