PENSAMENTOS LEONINOS 112 - É PERIGOSO BRINCAR AO FAZ DE CONTA
PENSAMENTOS LEONINOS 112
É PERIGOSO BRINCAR AO “FAZ DE CONTA”
Não há dúvida, muitas vezes o fiz notar, que os meios de comunicação social desportivos em Portugal não parecem ser isentos em muitas apreciações que fazem e atitudes que tomam. Talvez seja este um tipo de jornalismo que lança boatos, distorce factos, pressiona e orienta opiniões no sentido que mais convém.
Defensores disfarçados (?) dos “seus” clubes, “jogam por fora”, mas jogam forte, nesta luta cada vez mais dura das competições desportivas, num domínio cada vez mais importante para as prestações dos atletas, o psicológico.
Pegam em qualquer coisa para fazer dela um caso que ampliam até aos limites do horror quando se trata do Sporting CP que, neste “meio” que coloca no “escárnio e maldizer” o melhor da sua arte, não tem quaisquer privilégios.
Apesar da verdade do que digo, não posso deixar de ressalvar casos excepcionais de grandes jornalistas desportivos que, tendo embora a sua tendência e gosto pessoal, o que não espanta, são ou foram de uma isenção irrepreensível. E neste caso não posso deixar de reservar um lugar muito especial ao saudoso Jorge Perestrelo que gritou o seu último “gooooooolo” pelo Sporting CP com a mesma vibração com que o faria pelo clube do seu coração.
Feita a ressalva, fica a verdade genérica de uma tendência indisfarçável para certas cores que não a verde.
Apesar de ser assim, não podem os sportinguistas adormecer na convicção de que tudo é maldizer e que o mundo sportinguista é só feito de maravilhas.
É tão ou mais nefasta esta convicção do que a verdade da falta de isenção dos que, disfarçados de jornalistas, nos queiram dividir e destruir a confiança.
Houve um caso Moutinho e um caso Vukcevic depois de um caso Stojkovic. Houve mesmo! Se estão resolvidos eu não sei e muito menos sei se estão bem resolvidos.
Foi notório que Moutinho e Vukcevic escolheram, estrategicamente, as oportunidades para falar, coisa que Stojkovic não soube tão bem fazer. Talvez por isso, aparentemente, só o seu caso perdura, mesmo contrariamente ao que o bom senso parece recomendar.
É verdade, também, que algo falhou naquela indiscrição do Derlei sobre Vukcevic, dando conta de que algo na convivência dos atletas não estará muito bem, quem sabe se dando razão a quem, há muito, fala de certas coisas que já produziram estragos irreparáveis como, por exemplo, na inesquecível final da Taça UEFA que perdemos com o CSKA em Alvalade.
Não podemos fazer vista grossa a situações menos boas e aos erros que sejam cometidos. Se o fizermos e apenas tivermos como resposta que ganhámos a Supertaça, estamos em segundo lugar do grupo 1 da Liga dos Campeões e ainda há muito campeonato para jogar, prestaremos um mau serviço ao nosso clube e não contribuiremos para a estabilidade de que temos necessidade para cumprir os objectivos que nos propusemos.
Neste momento estamos em 5º lugar no campeonato da Liga Portuguesa e diz a sabedoria comum que não é sensato “contar com sapatos de defunto” porque nos arriscamos a morrer descalços.
Jamais tomei a atitude de assobiar os meus mas, algumas vezes, até compreendo os motivos que levam outros a faze-lo.
Imagino como será difícil aos atletas sentirem-se vaiados, como o treinador e os dirigentes se devem sentir incomodados com as manifestações de desagrado dos adeptos, mas não esperam, decerto, que nunca o manifestem, mesmo nas ocasiões em que haja fortes razões para o fazer.
Os assobios nada melhoram, é verdade, mas quando os disparates persistem não será de estranhar que se oiçam. E não acredito que seja por influência de jornais facciosos que os adeptos assobiam.