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PENSAMENTOS LEONINOS 93 - MUDAR SEM REFLETIR?

PENSAMENTOS LEONINOS 93

Pensamentos 2

Mudar sem reflectir?

Quando as coisas não correm bem ou não tão bem como se desejaria que corressem, quando um projecto não produz os resultados esperados, quando os objectivos definidos não são alcançados, logo aparece o espectro da mudança de quem dirige como solução para todos os males.

Não é necessariamente assim. Pode ser, mesmo, uma atitude insensata.

Também não será solução, certamente, nada fazer.

Os maus resultados e os descontentamentos que geram são o indicador da necessidade urgente de alterar coisas, de corrigir procedimentos, de apurar estratégias ou de definir outras mais eficazes, enfim, de reflectir sobre tudo que possa melhorar os desempenhos. É isto que se espera de uma Direcção competente, dedicada e sensata.

É isto que terá de acontecer no Sporting CP onde lutas intestinas apenas poderão debelar mais ainda as forças e as capacidades que restam.

A ideia desta Direcção foi começar uma era diferente, mais de acordo com os tempos que correm em que as coisas já não são como eram. Apostou, bem, na formação, mas talvez ainda o não tenha feito do modo mais correcto quer na forma quer nos proveitos que dela pode tirar.

Diversos perigos espreitam esta estratégia empresarial, contra os quais é necessário estar bem prevenido.

A transformação do futebol profissional num negócio milionário, a inflação dos vencimentos dos melhores jogadores e a globalização que faz aumentar a população de “abutres” caçadores de talentos e beneficia os financeiramente mais fortes deixa sem “armas” eficazes os mais fracos.

Formar jovens talentosos sem condições para os manter por tempo suficiente para que o seu talento dê frutos palpáveis, fazer deles apenas a base da equipa, é como um pau de dois bicos, sem ponta por onde se pegue sem risco de se ferir a mão.

Depois, formar é muito mais do que reconhecer e desenvolver capacidades inatas. É trabalhar o todo do atleta para lhe dar força física e mental. É desenvolver nele o espírito ganhador e o brio no que faz, atenuando, sem prejuízo para o seu futuro, a ansiedade que as cobiças fazem nascer.

Cada vez mais o “mens sana in corpore sano” é indispensável no desporto para que a formação produza os melhores frutos e a ansiedade, quer dos jovens que desejam chegar depressa ao topo e ganhar muito dinheiro, quer dos formadores a quem os milhões das suas vendas podem deslumbrar, não resulte em enormes prejuízos. Tudo tem o seu tempo que é necessário saber reconhecer e fazer compreender.

Mas quando há muito dinheiro envolvido, não deixa de haver quem o deseje para si também e quanto mais e mais depressa… melhor!

Quantos desmandos acontecem, quantas invejas se instalam, quantos interesses se escondem e quantos prejuízos os clubes têm em consequência disso?

O que se julga saber e está ou esteve em julgamento sobre possíveis ilícitos em casos de transferências de jogadores, talvez não passe da ponta do iceberg. Infelizmente!

A avidez dos mais abastados e a ganância oportunista de alguns que a possam satisfazer, são uma praga que ainda parece em vias de expansão, sem vacina que a controle. Esta, compete à justiça em geral, desportiva e não desportiva, desenvolver e aplicar. O Governo Português não pode deixar de cuidar desta indústria que, cada vez mais, pode ser importante na economia portuguesa.

O fosso entre os mais ricos e os menos ricos ou pobres é cada vez maior, tirando a estes todas as hipóteses de concorrência na formação de equipas competitivas.

A menos que se entreguem à sua sorte, os mais pequenos terão de ser mais inteligentes, adoptando procedimentos e estratégias que lhes permitam evitar crises que, a prolongarem-se demais, poderão ser fatais. Assim como terão de evitar quem, dentro de si, cuide mais dos seus interesses do que dos interesses do clube.

Este não me parece ser apenas um problema do Sporting CP, porque o será de todo o futebol nacional.

Com um “mercado interno” demasiadamente pequeno e condicionado por uma economia que tarda em se aproximar das mais sólidas, o futebol português não possui o “lastro” necessário para se manter entre os grandes, a menos que expanda esse mercado. Terá de se expandir, pois, tirando partido do prestígio que a classificação do futebol nacional alcançou no “ranking” mundial, bem como do prestígio dos jogadores portugueses que se afirmam nas melhores Ligas da Europa. Produz bons frutos mas não consegue conservá-los.

Não podemos continuar no “top ten” do futebol mundial e ter uma Liga na segunda divisão!

Cada vez mais o “markting” se tornou na arma mais poderosa dos clubes, e os seus resultados se tornaram na maior fonte de receitas.

O futebol custa muito caro aos clubes de futebol profissional que dois objectivos têm de alcançar: uma equipa que dê sentido ao “markting” e expandir e desenvolver inteligentemente este, para que produza os efeitos desejados de importante fonte de rendimento.

Ao longo da sua História, o Sporting CP foi pioneiro em iniciativas bem sucedidas que lhe deram o prestígio de ser desejado em competições e jogos nos mais diversos pontos do mundo. Encontram-se no seu museu troféus que o atestam, mais deslumbrantes do que os que um certo “benfiquista europeu” exibiu em Bruxelas!

É hora de reflexão, amigos leões. Não adianta “cortar cabeças” mas ponderar e participar, de um modo positivo, na recuperação do nosso clube. É dentro dele que encontraremos as soluções.

A coisa é séria e o Sporting CP precisa de todos quantos possam contribuir, assim haja quem aceite e deseje a sua contribuição.

É tempo de vivermos para o Sporting CP e não do Sporting CP.

Espero que o presidente Soares Franco saiba encontrar quem melhor o possa ajudar nesta hora difícil que é preciso ultrapassar, já que muitas das que tem não parecem de grande valia.

Não serve encontrar alternativas para os objectivos perdidos, porque é melhor aproveitar todas as possibilidades! Disputar a Liga dos Campeões, renegociar a dívida com a banca e aumentar as receitas de quotizações, angariando novos sócios, seriam objectivos não alternativos mas complementares. 

RC, Março de 2008

13.03.2008
 
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