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PEDROS DE MÁ MEMÓRIA
Pedros de má memória
Quem tem medo da transparência?
 
Será que a justiça disciplinar passará a acontecer num sector onde um corporativismo excessivo tem sido a norma?

Esperemos que, apesar do amadorismo dos árbitros, as avaliações das arbitragens passem a ser profissionais, como o são os jogos que arbitram.

As classificações de Pedro Proença e Pedro Henriques, contestadas pelo Sporting, foram revistas e drasticamente rebaixadas em consequência dos erros que cometeram em jogos importantes, aos quais nos referimos por diversas vezes. Curiosamente, os erros de ambos foram prejudiciais para o Sporting!

A magnanimidade dos observadores de campo é por demais conhecida e nem sempre corresponde ao que a verdade dos desempenhos faz jus. Ora, tal como já vem acontecendo com os jogadores que podem ser penalizados por acções graves em campo, das quais o árbitro se não apercebeu ou não considerou devidamente, é justo que também as actuações dos árbitros estejam sujeitas à mesma revisão e tenham consequências similares.

Erros são erros, sejam quais forem as circunstâncias ou as razões pelas quais tenham sido cometidos. Não devem, por isso, ficar sem a devida apreciação e sem as consequências que justifiquem. Nuns casos serão apenas motivo para revisão da classificação, mas noutros poderá justificar outro tipo de procedimentos.

Parece-nos, contudo, que outras actuações, para além das destes Pedros a quem baixaram as classificações por erros cometidos em desfavor do Sporting, deveriam ser revistas também. Porém, talvez o medo de perder estes árbitros que actuam por “amor à arte” supere os desejos de justiça nas suas classificações. De facto, ainda me ressoam nos ouvidos aquelas palavras que disseram no programa Prós e Contras a que já nos referimos, que os prejuízos materiais dos árbitros por não arbitrarem alguns jogos não são significativos (ver Rugidos de Leão 51), pelo que, para além da classificação justa, pouco mais poderá levá-los a terem mais cuidado e maior empenhamento nas suas actuações.

E como fica a actuação dos avaliadores de campo? Quando há reavaliação que a corrija ficam impunes?

É imprópria a indignação dos árbitros pela decisão da Comissão Técnica de Avaliação (CTA) em consequência de reclamações apresentadas pelo Sporting, um procedimento que está normalizado e pode ser adoptado por qualquer clube que entenda ter razões para isso.

É espantosa a reacção do próprio Presidente da Comissão de Arbitragem, Vítor Pereira, que continua a manter e a reiterar os parabéns dados a Pedro Proença pela sua actuação no Porto-Sporting agora penalizada e, parece lógica, a sua defesa da extinção da CTA.

É inexplicável o desejo de secretismo que se pretende para as avaliações dos desempenhos dos árbitros que, conforme previsto pela Convenção da UEFA, deixarão de ser públicas dentro de algum tempo.

Secretismo é o recurso de quem, sentindo-se superior aos demais, não se dispõe a ser julgado pelas suas acções que, em consequência, serão sempre perfeitas e não passíveis de contestação.

É caso para profunda preocupação e para os clubes profissionais reagirem a imposições que os podem lesar profundamente, sendo eles, afinal, quem justifica a existência das Federações, da UEFA, da FIFA e de todos esses múltiplos órgãos que só porque os clubes existem, existem também.

Afinal pretende-se que o futebol profissional seja cada vez mais vulnerável a jogos de poder e a artimanhas possíveis dos que pretendem julgar sem serem julgados.

Seria bom que a isenção e a confiança fossem a norma em que assentassem todos os procedimentos. Mas não são e disso temos provas demais.

Também desejaria que se falasse menos da arbitragem já que a melhor é aquela que se não nota, que passa despercebida. Mas as circunstâncias não o permitem, sobretudo quando os responsáveis são os que mais razões dão para que não se possa confiar no trabalho que fazem, pretendendo que não seja susceptível de críticas.

Quem tem medo da transparência?

15.11.2007
 
 
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