Não posso dizer que Pinto da Costa alguma vez me despertou simpatia. Longe disso e até penso que nunca foi sua intenção ser simpático para alguém, muito menos para mim que nem sequer me conhece.
Como presidente do Porto competia-lhe ser eficiente e levar o seu clube o mais longe possível. E foi o que fez do jeito que sabe e do modo que é ou quis parecer ser nas circunstâncias. Cínico, insultuoso, belicoso, jogador, insinuante, vaidoso, provocador, sei lá que mais, de tudo me pareceu ser um pouco quando lhe conveio ou entendeu que devia ser. E foi bem sucedido.
Depois das épocas douradas do Sporting e do Benfica no domínio do futebol português, fez chegar a vez de o Porto ser um clube dominante. Tem todo o mérito no que fez pelo seu clube que dignificou o futebol português, sem que outro alguma vez alguém lhe tenha conhecido. Foi sempre coerentemente dedicado a uma só causa, como diz que outros não foram.
Não discuto nem me pronuncio se acho bem ou mal o modo como procedeu. Se fosse portista decerto seria seu fã, se eu fosse do tipo de o ser fá de alguém ou de qualquer coisa… claro!
Mas tudo tem o seu tempo. Tudo se altera, até os gostos. Com as pessoas passa-se o mesmo. Amadurecem e ficam, quando ficam, mais prudentes, sensatas e complacentes. Mas tal não parece ser o caso do presidente portista que, ainda que com menor frequência que alguns tomam por prudência, continua igual a si próprio o que, afinal, não lhe faz merecer críticas de inconstância.
Por tudo isto e sem gostar dele, apenas no que diz respeito ao desporto certamente, admiro-o de algum modo.
Mas não é este o estilo que gostaria de ver nos presidentes do meu clube. E não vejo, felizmente. O Sporting é diferente e, por isso, sou sportinguista, mesmo que, como outros querem fazer crer mas os sportinguistas não sentem, faça parte de uma minoria. As maiorias dominam, mas são as minorias que fazem a diferença, inovam e, por isso, e marcam os caminhos do futuro.
O Sporting está em mudança que não é fácil nem rápida, como sempre acontece nas mudanças bem feitas, mas que espero que seja.
Mas há muita coisa para mudar ainda, quem sabe se no que diz respeito também a inconstâncias ou à arte de fazer. O Sporting está em crescimento tranquilo mas seguro.
A propósito, recebi o “tal” telefonema do Paulo Bento e duas coisas concluí: não era para mim que não estou à espera de nada para ir e até já tenho, há muito, a minha “game box”; Depois, não gostei nem da gravação nem do estilo. Foi um como que furacão inesperado que me entrou pelo ouvido. E podia nem ter ouvido porque não é meu hábito atender chamadas não identificadas.
Podia ter saído bem melhor. A culpa não é de Paulo Bento, certamente, mas de quem não teve arte para imaginar melhor. Mas que foi inovador… foi!