A Direcção da Liga de Clubes tem manifestado uma grande vontade de melhorar muitas coisas no futebol profissional português, de modo a torna-lo mais verdadeiro, transparente e menos sujeito a certas mentiras que o desacreditam e afastam público.
A Comissão de arbitragem, por sua vez, afirma o desejo de tornar as arbitragens mais credíveis propondo, igualmente, medidas concretas para tal.
Para isso foram propostas algumas novas regras que, sem serem penhor de que todos os males vão desaparecer, poderão minimiza-los, tornando as “mentiras” desportivas menos apetecíveis porque as sujeita a sanções severas.
Para as faltas que o árbitro tenha ignorado ou delas não se não tenha apercebido, haverá castigos correspondentes à sua gravidade. As falhas de julgamento terão influência na avaliação do trabalho do árbitro de um modo que se afirma severo também.
Maior rigor na apreciação das faltas cometidas pelos jogadores, sobretudo aquelas mais discretas e habilidosas, bem como do trabalho dos árbitros, obrigará a maior cuidado quer da parte dos prevaricadores quer dos que tem de julgar as faltas que cometem.
Dificilmente serão cometidas faltas que não sejam detectadas pelos meios de que actualmente se dispõe e, assim, de pouco valerá aos árbitros dizer que não viram o que deveriam ter visto ou que viram o que não aconteceu! Apenas é necessário que as apreciações sejam feitas com rigor.
Num regime de semiprofissionalismo com dedicação prioritária à arbitragem, espera-se que o recurso a meios visuais para apreciar o trabalho dos árbitros seja dissuasor de “certas veleidades” que, por vezes, lhes são atribuídas, assim como os obrigue a maiores cuidados no acompanhamento do jogo, a um maior esforço para que nada lhes passe desapercebido.
Como exemplo tomemos o caso do golo marcado com a mão por Rony no encontro Sporting-Paços de Ferreira. Uma falta grave e evidente como é marcar um golo com a mão, influenciou seriamente o resultado do jogo e, como se verificou mais tarde, a própria classificação no campeonato. Apesar de todas as consequências que teve, bastou ao árbitro dizer, com um sorriso cândido, que não viu!
Para cúmulo, o jogador vangloriou-se do que fez e os adeptos pacenses, no jogo no seu campo, serviram-se do facto para tentar enervar os jogadores do Sporting. Maior anti desportivismo não pode haver.
Não pode o futebol conformar-se com estes comportamentos e compete aos seus dirigentes fazer tudo o que esteja ao seu alcance para os evitar o mais que seja possível. Será o que estão a fazer, desde que as “penalizações” sejam de modo a que “o crime não compense”.
A influência que as faltas ou os erros de arbitragem possam ter nos resultados será, certamente, um coeficiente de ponderação importante.
Não imagino como na apreciação dos árbitros serão considerados casos como o ocorrido em Leiria no jogo Leiria-Sporting. Por mais que se pense, foi mesmo um erro técnico grosseiro o que aconteceu, disfarçado por “palavras impróprias dirigidas ao árbitro” que justificaram a amostragem de um cartão amarelo. A falta do jogador leiriense foi nítida dentro da grande-área e a falta de Liedson também, esta prontamente assinalada pelos árbitros. Reclamou de quê o jogador do Leiria? Foi incorrecto para o árbitro porque não marcou uma grande-penalidade? Como justificar a justificação do árbitro? Aliás, um conhecido comentador de arbitragens foi, então, muito claro ao dizer que “tudo vai depender do que o árbitro escrever no relatório”. E dependeu porque não tiveram os órgãos de disciplina força nem vontade para uma apreciação profunda e objectiva, para uma decisão própria de quem tem vontade de dar verdade ao futebol.
Ao Sporting não restou senão fazer o que devia fazer e acatar, ordeiramente, a decisão tomada, por mais injusta que tenha sido. Isto torna o Sporting diferente.
Mais difícil me parece o caso da simulação de faltas. Quem não se lembra da campanha contra Liedson, definindo-o como um exímio simulador de faltas? Quem se não lembra do efeito que tal campanha teve em alguns dos que tiveram de o julgar?
A par de algumas simulações evidentes, como ter a certeza de que em outros casos o são? Casos houve em que apenas o próprio o poderia saber. Mas o árbitro também soube porque leu na alma do jogador! É este o poder dos deuses.
Podem cometer-se graves injustiças ao considerar simulação o que o não foi, ou o contrário. Também nestes casos terá de haver um forte controlo e muita atenção da parte de quem tiver de apreciar o trabalho do árbitro. Talvez assim os árbitros desçam à terra e dispam aquele ar de “senhores absolutos” e inimputáveis, assim como se dê verdade às classificações que lhes são atribuídas, por vezes segundo critérios que ninguém consegue entender.
Sei que não é possível evitar, de todo, que haja mentiras num desporto que se comercializou, ainda que mais por uns do que por outros.
Espera-se que este “desporto-indústria” que é o futebol profissional se reaproxime do “desporto” que lhe deu origem onde, como em qualquer desporto, a verdade é indispensável para o ser.
E quando tanto se fala de benefícios e de prejuízos, ouso afirmar que o Sporting será, certamente, beneficiado pela “mais verdade” que a aplicação séria das novas regras possa trazer ao futebol.
Tê-lo-ia sido na época anterior, se tais regras estivessem em vigor e fossem aplicadas com o rigor que devem ser.