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Faixas, riscas, chuva e uma história para a história
Em 5 de Outubro de 1928 o Sporting e o Benfica encontraram-se a título particular num jogo para celebrar a implantação da Republica.
O récem-implantado regime político ainda não marginalizara as com as comemorações do 5 de Outubro e data continuava a merecer comemorações especiais.
Esse 18ª aniversário da vitória republicana viria a ficar assinalado, em termos de Sporting, por uma viragem de visual que deixou marcas para sempre: o equipamento de hoje, com a camisola às riscas horizontais verdes e brancas e os calções pretos, foi definitivamente adoptado nesse dia.
Há circunstâncias em que se conjugam factores diversos, por vezes aleatórios, com uma importância determine que, na altura, escapam a quem as presencia.
Nesse ano de 1928, no jogo da celebração da Republica, o Sporting e o Benfica encontraram-se a título particular mas então, como hoje, entre os dois clubes não havia jogos a feijões. Só contava a vitória, mesmo que isso não implicasse pontos e a eliminação desta ou daquela prova.
O Sporting entrou em campo com o seu equipamento de sempre, em vigor desde 1915 mas remetendo para 1908:
Camisola bipartida na vertical, com uma faixa verde e outra branca (hoje é conhecida familiarmente como “ Stromp “ ) e calções pretos. Em relação a 1908 diferiam os calções, brancos até 1915.
Era o visual do costume no futebol, mas nem sempre usado por outras modalidades.
Durante os anos vinte, e por inspiração do grande atleta e dirigente Salazar Carreira, a secção de râguebi trocara a camisola habitual por uma outra às riscas verdes e brancas. Salazar Carreira gostara do equipamento da equipa de râguebi do Racing de Paris (ainda que às riscas vermelhas e brancas) e “ importara-o “ para o Sporting, adaptado às cores do clube.
Esses equipamentos do râguebi, às cores do Clube.
Esses equipamentos do râguebi, às riscas verdes e brancas, por serem mais frescos e estarem em melhor estado, foram levados pela equipa de futebol ao Brasil na histórica digressão do Verão de 1928. O futebol do Sporting apresentou-se pela primeira vez em campo com eles no Rio de Janeiro, frente ao Fluminense.
No regresso a Portugal tudo voltou à normalidade e foi assim, com o equipamento “ Stromp “, que o Sporting entrou no Campo Grande foi-se transformando em lama e deixando os equipamentos irreconhecíveis.
Ao intervalo, a equipa do Sporting trocou de vestuário para conforto dos jogadores. E como as disponibilidades de jogos de equipamentos não eram as de hoje, a equipa voltou a recorrer às camisolas da râguebi, ressurgindo no terreno, para surpresa geral, às riscas verdes e brancas.
Os adeptos “ leoninos “ gostaram. E passaram a gostar ainda mais quando, num duelo em que só a vitória interessa o Sporting conseguiu assegurar um resultado favorável de 3-1 perante o grande rival de sempre.
A partir desse dia as camisolas às riscas passaram a ser usadas pelo futebol do Sporting, estendendo-se a todas as modalidades do Clube como equipamento oficial. O “ Stromp “ transformou-se em equipamento alternativo. Esse dia 5 de Outubro de 1928, chuvoso e enlameado, mas vitorioso, tornou-se decisivo para “ disciplinar “ os equipamentos do Clube fundado por José Alvalade e companheiros em 1 de Julho de 1906.
Hoje não há sportinguista que não se reveja no equipamento do Sporting. Com estes episódios se constrói a História.
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