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CARLOS GOMES - ATÉ SEMPRE CAMPEÃO!
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Um atleta de eleição ao serviço do Sporting, e uma pessoa cujo bom humor contagiava todos à sua volta.

Carlos Gomes
Para muitos adeptos do Sporting e antigos jogadores, Carlos Gomes, foi o melhor guarda redes ao serviço leonino.

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ATÉ SEMPRE CAMPEÃO!

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Carlos António do Carmo Costa Gomes nasceu no Barreiro, a 18 de Janeiro de 1932.

Protagonizou uma das carreiras mais atribuladas do futebol português, muito por culpa da sua forte convicção e irreverência.

Faleceu esta manhã, às 07h00, no Hospital da Misericórdia, no Barreiro, para onde tinha sido transferido à pouco tempo, vitima de doença prolongada.

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Não faltou o apoio a este atleta, nesta fase terminal da vida, com a visita e homenagem, primeiro da Torcida Verde, uma claque com memória, onde foi ofertado um cachecol que o acompanhou nestes últimos momentos, e, depois, da Direcção do Sporting com os Leões de Portugal.

Com uma vocação fabulosa para o lugar de guarda-redes, aos 18 anos ingressou em Alvalade, vindo do Barreirense, tal como João Azevedo. Quando os dirigentes «leoninos» foram a sua casa para o contratar não se conteve, falando das injustiças sociais, da dignidade violada, do desrespeito e forma esclavagista de tratar os jogadores como se fossem mera mercadoria.

Disseram-lhe que se calasse, que o Barreirense receberia 50 contos pela transferência e ele mais 10. Não se calou, e exigiu 50 só para si. Ribeiro Ferreira, presidente do Sporting, sabendo que precisava de um guarda-redes para substituir Azevedo, cedeu. Seria suplente de Azevedo, «o gato de Frankfurt» durante um ano, e aos 19 anos a camisola número 1 já era sua.

Depressa se tornou ídolo dos sportinguistas, e ao longo de seis anos foi somando títulos, multas e suspensões. Descontente com a remuneração que auferia no Sporting, depois de se sagrar novamente campeão em 1957/58 e após um largo «braço-de-ferro», transferiu-se para o futebol espanhol pela mão de Alejandro Scopelli, que o levou para Granada.

Em Espanha conseguiu uma remuneração oito vezes superior à que auferia em Portugal. O Sporting também ganhou um bom dinheiro, um milhão de pesetas.

Os clubes grandes continuaram na sua peugada, concretamente o Real Madrid e o Barcelona, mas os dirigentes «leoninos» deixaram-no apenas transferir-se para o Oviedo. Pelo meio, o Benfica ainda tentou contratá-lo, utilizando o Salgueiros como intermediário. Em 1961 regressou a Lisboa, para assinar de novo pelo Sporting, exigiu o salário mais alto da equipa, e o acordo não se concretizou.

Ofereceu-se ao Atlético, tinha 29 anos, mas foi acusado de violação por uma rapariga, na altura empregada num dos seus negócios, uma loja de fotografias. Jurou que tinha sido uma cilada montada pela PIDE e por dirigentes do Sporting, e fugiu para o exílio. Num jogo contra o Guimarães, simulou uma lesão logo após o intervalo, e escapou-se para terras espanholas. Mais tarde contou o plano, «concentrei-me com a equipa, para não levantar suspeitas. Tentaria não só fazer um bom jogo, como teria de lesionar-me, porque enquanto durasse a cura, ninguém haveria de suspeitar e ganharia alguns dias preciosos. Não fiz um jogo extraordinário, mas lesionei-me como o previsto. Perto do vestiário, voltei-me para  terreno e para o público, enquanto chorava em silêncio...».

De Espanha seguiu para Marrocos. Ainda jogou em Tânger, no clube da...polícia. Conseguiu, mais tarde o estatuto de refugiado político. As suas exibições fizeram tal furor que emissários do Rei de Marrocos o convidaram a fazer-se muçulmano e a mudar de nome e nacionalidade. Não aceitou.

Em 1963 foi liberto pelo Sporting, jogou mais dois anos, mas continuou ligado ao futebol, tornando-se treinador de sucesso, passou pela Argélia e Tunísia, regressando a Portugal nos anos 80.

Radicou-se depois em Espanha, onde possuia negócios de hotelaria.

Como guarda-redes tinha uma curiosidade, actuava na baliza sempre vestido de preto. Um dia, um jornalista espanhol perguntou-lhe o motivo. E ele não o escondeu: «visto-me de preto, pois enquanto o futebol português estiver nas mãos dos doutores está de luto.»

CURRICULUM:

Carlos António do Carmo Costa Gomes
Local de Nascimento: Barreiro
Data de Nascimento: 18 de Janeiro de 1932
Início de Carreira no Sporting: 1950/51
Títulos conquistados ao serviço do Sporting:4 Campeonatos Nacionais (1951/52, 1952/53, 1953/54 e 1957/58)
1 Taça de Portugal (1953/54)
Internacionalizações: 18

O Adeus da familia, dos amigos e dos admiradores

O funeral de Carlos Gomes realizou-se no passado dia 18 pelas 15h30m da Capela de Santo António (pertencente à Santa Casa da Misericórdia do Barreiro) para o cemitério de Vila Chã.

O falecimento tinha acontecido na manhã do dia 17 no Lar da Misericórdia. Celebrou a missa de corpo presente o padre Vítor Melícias, mas as leituras da encomendação do corpo estiveram a cargo do reverendo padre Armando Azevedo, pároco de Santo André.

Além da família do lendário guarda-redes e dos elementos da delegação “leonina” incorporaram-se no cortejo fúnebre vários jogadores, treinadores, árbitros e jornalistas além de muito povo anónimo do Barreiro, cidade natal de Carlos Gomes.

Menezes Rodrigues representou o Conselho Directivo, Isabel Trigo de Mira e Vítor Melícias os «Leões de Portugal», Mário Casquilho a Mesa da Assembleia Geral.

Registámos também a presença do director geral Pedro Batalha Ribeiro e do director de Relações Públicas Maurício do Vale.

De pessoas do universo do futebol português registámos as seguintes presenças: Pedro Gomes, José Perides, Vítor Cândido, José Luís de Castro, Galileu, Mourinho Félix, Manuel de Oliveira, Armando Garranha, Carlos Valente e Vieira (CUF). Júlio Freire, provedor da Santa Casa da Misericórdia que é a proprietária do Lar onde Carlos Gomes esteve internado nos últimos tempos de vida, acompanhou também o cortejo fúnebre. Trata-se de um ex-atleta do Barreirense e da Académica e grande admirador de Carlos Gomes.

Esteve presente uma delegação do Atlético Clube de Portugal, um clube lisboeta onde Carlos Gomes deixou muitos amigos. O caixão com o corpo de Carlos Gomes estava envolvido numa grande bandeira do Sporting Clube de Portugal e tinha também colocado uma bandeira do Futebol Clube Barreirense além de um cachecol da Torcida Verde.
O reverendo Armando Azevedo pediu a todos que o acompanhassem num «Padre Nosso» pelo eterno descanso de Carlos Gomes. De seguida invocou as figuras de Lázaro e do bom ladrão no Calvário a quem Jesus Cristo na cruz prometeu um lugar na assembleia de eleitos e concluiu: «Vamos entregar à terra o corpo de Carlos Gomes pedindo ao Senhor que o receba em paz e na esperança da vida eterna.» No cemitério de Vila Chã, perante uma tarde de sol esplendorosa, o funeral de Carlos Gomes que esteve a cargo da Agência Gil de Lisboa, terminou com uma prolongada salva de palmas.

Tal como num estádio, Carlos Gomes foi aplaudido longamente pelos seus amigos e pelos seus admiradores.

Texto: José do Carmo Francisco
 
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