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PENSAMENTOS LEONINOS 47 - ANTES QUE A CRISE CAI NA RUA...

Pensamentos Leoninos 47

Rui de Carvalho - Pensamentos Leoninos

Antes que a crise caia na rua…

Uma crise profunda abala o Sporting. Não há como não o reconhecer. Afinal, a venda do património não desportivo não resolveu, como esperado, os problemas financeiros do clube; Os “talentos” estão a transformar-se em problemas de continuidade e de ambição desmedida; Os resultados desportivos estão longe dos que possam corresponder à tradição e à ambição sportinguista e, ainda mais, ao nível europeu prometido.

Parece ter sido criado um monstro que se não consegue dominar, como aquele exército de “vassouras” que o “aprendiz de feiticeiro” foi incapaz de evitar que se multiplicasse e que, em vez de o ajudar, o atrapalhasse.

Fazem-se os mais diversos comentários, arquitectam-se as mais variadas explicações e até é natural que se levantem vozes a dizer que bem avisaram.

A comunicação social desportiva rejubila com esta oportunidade de assunto que vende e, quem sabe até, com o modo como pode ter um papel activo na ruína de um trabalho de cem anos que os sportinguistas não estão a saber preservar.

O Presidente avança com a possibilidade de abandonar as suas funções se até Junho não forem resolvidos determinados problemas não mencionados nas suas condições para resolver a crise financeira e que, na sua boa fé, a grande maioria dos sportinguistas apoiou; O anterior Presidente afirma o seu desprezo pelos actuais dirigentes e sugere a existência de coisas bem mais graves do que as conhecidas dos sportinguistas e que tanto já os preocupam; A base da economia sportinguista, a sua equipa principal de futebol, parece um castelo em ruínas, um balão esvaziado ou, mesmo, um leão sem garras a quem até o miar de um gato assusta!

A “alma sportinguista” está frouxa, como que desorientada e assustada, sem saber o que fazer para retomar o vigor que outras crises não abalaram.

Os problemas a que o Presidente se refere dependem de decisões de uma Câmara também ela em ruínas, sem capacidade para tomar decisões que mais podem complicar os seus já grandes problemas. O que esperar de uma Câmara para a qual mais de oito meses não bastam para repavimentar um troço de uma rua de grande movimento e onde mantém o trânsito condicionado como é a Alameda das Linhas de Torres?

Que esperar de um ex-Presidente que não esclarece as suspeitas que lança sobre problemas muito graves que podem causar sérios danos ao Sporting? Como pensa ajudar o Sporting?

Que esperar de uma equipa de futebol que não consegue materializar a esperança?

Finalmente, que esperar de uma Direcção que não esclarece os sportinguistas mas antes os deixa na expectativa de um clube ingovernável?

Não sou dos que pensam que as coisas correm mal porque tudo está mal, porque nunca nada está mal de todo; Não penso que se devam alicerçar os méritos nos deméritos de outros, porque o mérito não tem exclusividade; Não tenho o espírito revolucionário dos que pensam que é preciso destruir para construir de novo, porque “é no aproveitar que está o ganho”. Mas também não sou dos que crêem ser o deixar o futuro acontecer que resolve os problemas, porque o futuro se constrói.

Não sei quanto tempo mais é necessário para tirar conclusões e tomar atitudes, nem quanto tempo mais é necessário discutir antes de agir, ao estilo do “Dr House” que suspende tratamentos para ver o que piora…

Mas sei que a crise se torna maior quando cai na rua, se deixa que as emoções toldem a racionalidade e a indecisão deixe passar a oportunidade.

Depois sucedem-se os disparates, os palpites, a “bocas” e entra-se na filosofia barata… É isto que os sportinguistas desejam? Decerto que não é. É hora de reunir para ganhar forças, de utilizar a inteligência para fazer o que deve ser feito.

É hora de não deixar que outros condicionem o que devemos fazer, de não deixar que outros cuidem dos nossos problemas e nos dêem os palpites de que não necessitamos, como aquele que diz que “os adeptos leoninos têm de decidir se querem esperar e ver este grupo crescer, jogadores e treinador incluído, ou desejar tudo esta época.” Em que se baseia a teoria de o professor aprender ao mesmo tempo que os alunos?

Aprecio o treinador Paulo Bento a quem auguro um futuro de grande treinador pelas características que revela, se as circunstâncias o não estragarem entretanto. Nem acho, sequer, que seja o culpado pelo que, sozinho, não consegue fazer. Apenas tenho a certeza de que falta, na equipa técnica do futebol do Sporting e até no Sporting no seu todo, alguém com a experiência necessária para que não sejam cometidos os erros crassos que se vão tornando evidentes.

Há formas melhores e mais seguras para aprender e crescer. Com bons mestres!

Há formas melhores para alcançar o sucesso. Com quem saiba muito do negócio que gere!

Há uma única forma de alcançar a glória. Lutando por ela!
 
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