O Carnaval é esta época estranha em que uns se mascaram e outros tiram a máscara, no desejo inconfessado de, pelo menos por três dias, serem aquilo que na realidade gostariam de ser. Uns dias descuidados ou intensamente vividos, porque a seguir vem a Quarta-Feira de Cinzas que nos recorda a precaridade das nossas vidas, o pó de que viemos e em que nos transformaremos outra vez.
Viver apenas no Carnaval não será a forma mais saudável de viver a vida ou de lhe dar sentido, mas cada um faz da sua vida o que entender.
Diferente é nas “vidas colectivas” das quais ninguém, só por si, é verdadeiro dono mesmo pensando que o é! Por isso no nosso Sporting o Carnaval não faz sentido, porque sentido faz resolver os seus problemas, sejam eles quais forem. É urgente por um ponto final na época conturbada que vivemos e nas indefinições que temos quanto ao futuro. Por isso, é urgente o dia da reflexão em que, sem máscaras, todos contribuamos para um futuro melhor que apenas poderá ser aquele que os seus sócios mais desejam.
Numa instituição como o Sporting, a vida não provém do pó mas de ideais e de vontades. A vida do Sporting não está sujeita, por isso, á efemeridade da vida humana porque é regida por ideais de grandes sportinguistas que os criaram e já os não podem defender. Temos de os respeitar adoptando-os ou, sem máscaras e sem subterfúgios, recusando-os e alterando-os de vez.
O Carnaval também pode ser, por isso, a hora da reflexão e da verdade.
Apesar de tudo e porque a vida é assim, a todos os sportinguistas desejamos um Carnaval divertido, mas apelamos para a reflexão profunda que as circunstâncias requerem, para que ser sportinguista continue a ser um “estado de alma” diferente de todos os demais e o Sporting continue a ter como pedestal o esforço, a dedicação e a devoção de todos os sportinguistas!