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PENSAMENTOS LEONINOS 38 - ESTAMOS SEM DINHEIRO?...

Pensamentos Leoninos 38

Rui de Carvalho - Pensamentos Leoninos

Estamos sem dinheiro? Temos de pensar mais!
 
Os maus desempenhos da equipa principal do Sporting nos últimos tempos são, têm de ser, motivo de preocupação e de desgosto para os sportinguistas que gostariam de voltar a ver as boas exibições que levaram a crítica a considerá-la como a que melhor futebol praticava em Portugal.

Agora, nota-se que a equipa tem falta de confiança, é pouco arrojada e pouco decidida, revela-se nervosa até, sobretudo nos jogos em casa, onde os piores desempenhos têm acontecido. Porém, não tem faltado o calor da grande massa de sportinguistas que ali vão apoiar a sua equipa, muitas vezes enchendo o estádio, cantando e incitando, tornando já popular o grito “noventa minutos sem parar, sempre a cantar por ti …”.

Falhas inexplicáveis em momentos decisivos tornaram-se uma constante numa equipa que não consegue corresponder ao apoio que tem, à dedicação dos seus apoiantes e nem sequer consegue alcançar objectivos que parecem estar perfeitamente ao seu alcance. Para não ir mais além, a participação na Liga dos Campeões 2006 que pareceu ter começado tão bem, apesar de um grupo dificílimo, saldou-se por um desaire completo perante um Dínamo de Moscovo que humilhou a equipa na sua própria casa, quando um simples empate bastaria para o acesso à Taça UEFA, a consolação que lhe restava! Fez recordar o que antes se passara perante outra equipa russa, o CSKA que, em Alvalade também, lhe roubou o sonho de repetir uma façanha que cada vez mais se vai tornando num símbolo estafado, fedorento, como o são, também, os tão cantados 7-1 que o Sporting não conseguiu justificar esta época e na sua casa também!

São desaires a mais, desaires sistemáticos em horas decisivas para poderem ser justificados dizendo que “futebol é isto” e que “é isto que faz do futebol o que ele é”, uma caixinha de surpresas encantadora.

Já passou o tempo em que as coisas eram assim, nos tempos do amadorismo mas também das grandes dedicações, porque o futebol se profissionalizou e os atletas têm outras responsabilidades, como as têm as equipas técnicas e os próprios dirigentes.

O Sporting anda há tempo demais a cantar o “fado do desgraçadinho” sem dinheiro nem para “mandar cantar o cego” e, por isso, tem de se conformar com estas desgraças, como aconteceu contra o Belenenses e contra o Rio Ave, para falar do que mais recentemente aconteceu. Como se fosse o único com problemas financeiros, quando outros os terão maiores!

Não adiante dizer que, no último jogo o Sporting fez economia de esforço, que jogou “quanto baste” para eliminar uma equipa de menos qualidade do que a sua.

Depois do que vinha sucedendo, apenas se poderia esperar que o Sporting demonstrasse que joga bom futebol, mesmo em economia de esforço se fosse justificada, que os seus atletas são briosos para além da qualidade que possuem e a sua equipa técnica competente. Mas tal não aconteceu e não vale a pena inventar desculpas para o que não tem justificação, porque foi a revelação de incapacidade de fazer melhor. Em todas as profissões se exige o melhor em cada momento e os futebolistas não podem reger-se por outros padrões.

Contra o Rio Ave, das duas uma: ou o Sporting desrespeitou o adversário, enfrentando-o com displicência, ou não foi capaz de fazer melhor. Escolham qual das duas explicações preferem!

Perante o que se passa e os factos claramente revelam, só há que esperar que a Direcção do Sporting revele, ela também, a decisão de alterar o rumo que as coisas tomaram, fazendo como se faz nas empresas de sucesso. Se as tecnologias são obsoletas, modernizam-se. Se os executantes são incompetentes, qualificam-se ou substituem-se. Se a organização é ineficaz, corrige-se. Se o produto não presta, melhora-se. A não ser assim, a concorrência não perdoa e a verdadeira desgraça acabará por acontecer.

Não é “arauto da desgraça” o que pensa ser tempo de evitá-la, mas sim aquele que, perante os sinais da sua possibilidade, nada faz para a evitar.

O sucesso alcança-se com bons desempenhos, impossíveis de obter sem os investimentos indispensáveis em meios que os possam proporcionar.

Não será uma economia de “despensa doméstica”, num mau momento da vida de uma família, que permitirá recuperar o desafogo financeiro de uma empresa. Deste modo, nem as grandes competições rendem milhões nem os “talentos” valem fortunas!

Parece oportuno recordar um pensamento notável de Lord Rutherford: “Estamos sem dinheiro? Temos de pensar mais”!
 
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