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Pensamentos Leoninos 35

O valor da crítica
O mau momento da equipa de futebol profissional do Sporting tem sido motivo para as mais diversas apreciações. Estranho seria se o não fosse. É perfeitamente natural que se fale de algo que parece ser uma condenação. O Sporting falha nos momentos mais decisivos! Ainda sem estarem esquecidos outros desaires idênticos, o Sporting falhou agora no seu confronto com o Benfica, um jogo em que os sportinguistas investiram muito nas suas esperanças e no apoio que deram à equipa e, depois, no apuramento para a Taça UEFA perante uma equipa que, tudo o indicava, estava perfeitamente ao seu alcance. E, neste segundo encontro, bastava apenas empatar!
Não se tratou, pois, de um mero acaso. Foram dois jogos decisivos em que o Sporting defraudou as expectativas dos seus adeptos e comprometeu objectivos fundamentais no seu propósito de construir uma grande equipa europeia. A equipa jogou mau futebol e pareceu, até, desmotivada. Prosseguiu uma série de más exibições que já tinham dado motivos para reparos e para preocupações. O que poderia esperar-se era que os erros verificados fossem corrigidos e que a equipa aparecesse bem estruturada e determinada a vencer.
É natural, num jogo popular e de paixões como é o futebol, que se fale e se comente, que se apontem as possíveis causas para os maus resultados e que a decepção, a frustração e, até mesmo, a revolta se manifestem pela falha em objectivos importantes. Importante era vencer o Benfica porque sempre é importante. Importante era, falhada a continuação na Liga dos campeões, aceder à Taça UEFA que “quase” já vencemos.
É natural, também, que nem todas as apreciações sejam feitas com a melhor das intenções nem na melhor forma de contribuição para que se altere o que, porventura, esteja errado. Mas no futebol é mesmo assim. Também aqui há que distinguir o trigo do joio, palavras loucas de palavras sensatas.
As primeiras são para esquecer, as outras para meditar.
Os sportinguistas tem dado provas de serem adeptos leais e dedicados, mas são, também, adeptos preocupados e participativos que merecem a atenção de quem dirige, coordena e é responsável por criar as condições que correspondam aos seus naturais anseios. Não lhes compete tomar decisões, mas não se lhes pode pedir que calem o que possam sentir quando alguma coisa, insistentemente, lhes não parece bem. Apenas nem sempre o “diálogo” com eles se desenvolve da melhor forma.
Parece ser este um aspecto a rever. Não se trata de “deixar cair o poder na rua”, mas sim de auscultar o que sentem aqueles que apoiam o Sporting e lhe dedicam muito da sua vida.
Paulo Bento é um treinador que merece o respeito e o reconhecimento que, sem qualquer dúvida, os sportinguistas lhe dedicam e lhe tem manifestado. Mas, como qualquer outro, está sujeito às críticas a que os desaires, pelo menos os repetidos e devidos a causas mal esclarecidas, sempre dão lugar. Dentre elas, algumas haverá que sejam dignas de reflexão ou que tenham razão de ser e mal avisado andará aquele que, criticado, as não considere nas críticas que, ao seu trabalho, ele próprio deve fazer.
Corresponder às críticas com sobranceria nunca foi a melhor forma melhor de proceder, porque só pode ser prova de insegurança, de sentimento de culpa ou, pior ainda, de teimosia que não significa, necessariamente, persistência.
É aqui que se coloca a questão de, no futebol, aos sócios, adeptos e simpatizantes se ter de dar ou não alguma explicação sobre o que não corre bem ou de, simplesmente, se persistir no direito de fazer sem dar satisfações a quem quer que seja. É uma questão difícil. Não se pede a um treinador que faça “mea culpa”, mas apenas que não despreze o que os outros possam sentir ou pensar. O risco de não reconhecer o valor da crítica é cair na história de “o rei vai nu”.
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