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1986 - UM RECORDE QUE RESISTE: 0-9
17 de Setembro de 1986

Um recorde que resiste: 0-9

O sorteio foi amigo, o adversário era fácil mas o que a equipa de futebol do Sporting fez de tão favorável ocasião foi muito mais do que cumprir o calendário. A extraordinária exibição de qualidade e eficácia realizada em Reykjavik, capital da Islândia, frente ao Akranes, ultrapassou tudo quanto se fizera na Europa do futebol até então. E o resultado de 9-0, em 17 de Setembro de 1986, ainda é recorde de goleadas fora de casa em provas de clubes da UEFA.

Fernandes

Quando o sorteio ditou os islandeses do Akranes na primeira eliminatória da Taça UEFA da temporada de 1986-87 os sportinguistas começaram imediatamente a fazer contas para a eliminatória seguinte. A nível da equipa comandada por Manuel José, porém, foram tomados os necessários cuidados porque a história do futebol está cheia de situações inesperadas e se o Akranes era um desconhecido tanto poderia sê-lo pelo fraco como por uma capacidade de vender bem cara a ausência de favoritismo. Nada de sobrancerias, portanto.

O Sporting fizera um bom resultado em Coimbra e logo a seguir foi encontrar vento e frio em terras insulares islandesas bem no Norte da Europa. O Akranes era uma equipa essencialmente amadora, uma vez que os seus jogadores viviam fundamentalmente da actividade da pesca, dominante no país, mas sabia-se que eram fortes fisicamente e tinham o prazer de jogar à bola.

O Sporting não facilitou e entrou a jogar com a vontade de demonstrar desde logo uma superioridade inequívoca, para não dar azo a veleidades. O “capitão” Manuel Fernandes fez 1-0 aos 10 minutos e ao quarto de hora Raphael Meade elevou para 2-0.

O mais difícil parecia conseguido: transformar a superioridade em golos fora de casa, desde logo muito importantes em competições europeias.

Os homens do Akranes, embora actuando mais com base no voluntarismo e no poder físico do que na organização aguentaram mais 20 minutos até que, aos 37, Raphael Meade bisou; e logo a seguir, aos 39, Manuel Fernandes converteu uma grande penalidade no 4-0 com que o jogo chegou ao intervalo.

A equipa sportinguista poderia ter descansado, uma vez resolvida a eliminatória. Manuel José poupou Manuel Fernandes logo ao intervalo e fez entrar McDonald. Muito segura da sua superioridade e do resultado, o Sporting dedicou-se então a 45 minutos mágicos de futebol. De rajada, McDonald elevou para 6-0 até aos 51 minutos enquanto a equipa trocava a bola em todo o terreno, ao primeiro toque, criando vagas sucessivas de ataques perante os atónitos adversários e os rendidos espectadores. Negrete, o internacional mexicano dos golos bonitos, elevou para 7-0 aos 75 minutos mas o “leão” estava insaciável. Com toda a equipa em movimento, cobrindo os espaços e recorrendo a todas as oportunidades para exibir os primores técnicos dos seus executantes, elevou para 8-0 aos 85 minutos, ainda por McDonald, e aos 89 minutos, em mais uma grande penalidade cedida em desespero, o brasileiro Zinho fechou a conta com 9-0.

Depois de ter estabelecido o recorde de goleadas europeias em 1964 perante o Apoel de Chipre (16-1 para a Taça das Taças) o Sporting fixava o maior resultado alcançado fora de casa: 9-0. Três meses depois, confirmando a temível eficácia da equipa quando punha em campo todas as virtudes técnicas, tácticas e criativas, o Sporting chegaria ao recorde dos derbies nacionais com o 7-1 ao Benfica. Em Reykjavik e Alvalade ficaram marcos históricos de uma equipa que, dotada de fabulosos executantes, poderia ter ido muito longe em títulos. Não foi possível, mas deixou memórias profundas nos adeptos que acompanharam os seus feitos.

Em Reykjavic o Sporting alinhou: Vital; Gabriel, Venâncio, Morato e Mário Jorge; Zinho, Oceano e Mário; Manuel Fernandes (McDonald) e Meade (Silvinho).
 
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