Ninguém conseguira ainda no atletismo português o que o sportinguista Álvaro Dias foi fazer a Bruxelas nesse dia 26 de Agosto de 1950, nos Campeonatos da Europa. Classificou-se em quarto lugar no salto em comprimento, mas só por circunstâncias infelizes não disputou o ouro até ao último salto. A marca que obteve na prova – 7,32 metros – foi igual à do vencedor.
Álvaro Dias foi, há mais de meio século, o pioneiro das grandes conquistas que o atletismo do Sporting viria a alcançar no panorama internacional, como ainda recentemente sucedeu com Rui Silva. Não chegou ao pódio, tal como viria a acontecer com Manuel de Oliveira, 14 anos depois, nos 3000 metros obstáculos das Olimpíadas de Tóquio, mas a sua presença impressionou os especialistas internacionais da modalidade numa altura em que o atletismo português quase não tinha expressão além-fronteiras.
Álvaro Dias era um pouco a excepção à regra nesses tempos: a sua melhor marca no salto em comprimento, com 7,34 metros, era recorde nacional e também ibérico. Tinha um tal valor para a época que só veio a ser batida já durante a década de sessenta, pelo também sportinguista Pedro de Almeida, com 7,63 metros.
Nos saltos de apuramento nos Campeonatos da Europa em Bruxelas, em 1950, Álvaro Dias confirmou que a sua marca não era fruto do acaso e atingiu 7,32 metros. Foi o melhor resultado dessa fase: o adversário mais próximo ficou a 10 centímetros. Todas as esperanças eram permitidas.
Na final, o atleta do Sporting começou com 7 metros exactos mas nessa tentativa sofreu uma lesão muscular que afectou o seu rendimento em todos os ensaios seguintes. Com enorme sacrifício levou o concurso até ao fim, conseguiu ainda mais dois saltos a rondar os sete metros, mas não chegou às medalhas.
A marca do primeiro classificado, o islandês Torfi Bryngeirsson, foi de 7,32 metros, precisamente a que Álvaro Dias atingira na fase de qualificação e inferior em dois centímetros ao seu melhor resultado pessoal. A valiosa presença e o bom quarto lugar final, com 7 metros, souberam a pouco. Álvaro Dias merecia ter alcançado a primeira medalha internacional do atletismo português.
Modesto, afável, sempre pronto a participar no jogo de equipa nas competições colectivas, Álvaro Dias deixou o seu sinal na História do Sporting. Também competiu no salto à vara, onde atingiu 3,45 metros, marca valiosa pois ainda vinham longe os tempos da utilização da flexível vara de fibra de vidro. E fazia sempre o seu papel nas estafetas, servindo-se da boa velocidade natural.
Campeão nacional e ibérico, vencedor de várias provas no estrangeiro, Álvaro Dias foi o primeiro grande saltador em comprimento do atletismo português. Um metro e dois centímetros e 55 anos separam Álvaro Dias do actual recorde nacional de Carlos Calado (8,36), obtido também como atleta do Sporting. É o homem em superação permanente.