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1941 - A EPOPEIA DE FRANCISCO INÁCIO
24 de Agosto de 1941

A epopeia de Francisco Inácio

À partida não era um dos favoritos mas, quase 2300 quilómetros depois, por estradas e caminhos bem diferentes dos de hoje e à média de 31 à hora, o sportinguista Francisco Inácio entrou na pista do Estádio do Lima com a camisola amarela de vencedor da 10ª Volta a Portugal em Bicicleta. Foi em 24 de Agosto de 1941.

Ciclismo

José Albuquerque, o “Faísca”, vencera a Volta de 1940 com a camisola da Sporting e era novamente o favorito para a edição de 1941, quando tempos de guerra assombravam a Europa. Francisco Inácio, que participara pela primeira vez na Volta em 1939 e em 1940 fora quinto, a 14 minutos do primeiro, não era dos nomes mais apostados, sobretudo porque na prova anterior fora discreto e não ganhara qualquer etapa.

As suas notáveis características de trepador, porém, fizeram a diferença. Francisco Inácio ganhou três das 26 etapas da 10ª Volta, que começou e terminou no Porto, todas elas curtas, é verdade, mas que se revalaram decisivas, principalmente as mais acidentadas. Mostrou-se na sétima etapa ganhando avanço nos 55 quilómetros entre Santiago do Cacém e Ferreira do Alentejo através de difíceis troços de terra batida das estradas alentejanas. Depois, na 15ª etapa, o ciclista do Sporting arrancou para a glória na empinada ligação entre a Covilhã e a Guarda, na distância de 47 quilómetros. Por fim, reforçou a preciosa vantagem nos 58 quilómetros entre Mirandela e Chaves.

Entre estes feitos do ciclista-revelação da prova, o Sporting manifestava um domínio absoluto etapa a etapa, principalmente através de João Lourenço, finalizador por excelência. O Sporting ganhou 22 das 26 etapas da Volta e João Lourenço, por sua conta, conquistou 10, que lhe valeram o quinto lugar, a cerca de nove minutos do quarto e grande favorito – o “Faísca”.

À entrada na pista do Lima, para a consagração, Francisco Inácio registou quatro minutos de avanço sobre o benfiquista José Martins e quase oito sobre outro benfiquista, Aniceto Bruno. No entanto, apesar destas classificações dos ciclistas do clube rival, a Volta de 1941 foi totalmente do Sporting: além do vencedor e de ganhar 22 das 26 etapas, a equipa “leonina” meteu cinco representantes entre os dez primeiros classificados: Francisco Inácio (1º), José Albuquerque “Faísca” (4º), João Lourenço (5º), Aristides Martins (6º) e Francisco Santos Duarte (10º). Correram ainda com a camisola do Sporting os seguintes ciclistas: Nunes de Almeida e José Viegas. Além disso, o Sporting venceu a classificação colectiva, com 45 minutos de avanço sobre o segundo, o Campo de Ourique.
O grande Alfredo Trindade, primeiro ciclista do Sporting a ganhar uma Volta a Portugal, em 1933, correu essa prova pelo Belenenses, classificando-se em 7º lugar.

A Volta de 1941 teve 2268 quilómetros, 35 participantes (acabaram 26) e foi corrida à média de 31,082 quilómetros, um quilómetro mais do que a Volta a Espanha desse ano.

A guerra interrompeu a Volta a Portugal nesse ano. A competição foi retomada em 1946, Francisco Inácio ainda participou mas já não conseguiu disputar o triunfo final. Confirmando as características de trepador, fora campeão nacional de rampa em 1942.

Francisco Inácio nascera no concelho de Torres Vedras, em Casalinhos de Alfaiata, precisamente a terra de João Roque, o ciclista que 22 anos depois, em 1963, conquistou a Volta seguinte para o Sporting. Roque, o homem que descobriu o fenómeno Joaquim Agostinho  na vizinha aldeia de Brejenjas, tem Francisco Inácio como um dos seus ídolos.
 
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